O FILME COMO EVIDÊNCIA

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O curta-metragem The Evidence of the Film (A evidência do filme, EUA, 1913, 14’), de Lawrence Marston e Edwin Thanhouser, produzido pelo Thanhouser Studio, em New Rochelle (Nova York), que produziu mais de mil filmes entre 1910 e 1917, é considerado o primeiro filme a apresentar o filme como prova num tribunal.

Mensageiro de uma casa de investimentos, um menino (interpretado pela expressiva menina Marie Eline) é encarregado de entregar a uma cliente um envelope contendo US$20,000 que o investidor (William Garwood) deve a ela, que ameaçou processá-lo caso não recebesse o dinheiro naquela mesma tarde.

Na verdade, para enganar a cliente, o broker vigarista preparou dois envelopes: um com o dinheiro, fechado diante de duas testemunhas; e outro recheado com tiras de jornal, que ele esconde no bolso interno de seu casaco.

O broker segue o mensageiro pelas ruas até que ele invade inadvertidamente as locações de uma filmagem. O menino é então derrubado no chão pelo broker, que se aproveita da confusão armada para trocar o envelope com dinheiro pelo envelope com tiras de jornal.

Quando o mensageiro chega ao seu destino e a cliente recebe o envelope “falso”, o menino é acusado de ter roubado o dinheiro, levado às barras do tribunal e, confrontado com os testemunhos, condenado sem apelo à prisão.

Dias depois, a irmã do mensageiro (Florence La Badie), que trabalhava como montadora do estúdio de cinema que fizera as filmagens em locação, percebe que a película rodada pelo cinegrafista distraído havia registrado acidentalmente o ataque do broker ao garoto.

A película é apresentada ao juiz, que aceita o registro das imagens como prova, e a sequência incriminadora da troca dos envelopes é projetada numa sessão fechada para os policiais, que logo procedem à liberação do garoto, prendendo o verdadeiro culpado.

A única cópia sobrevivente de The Evidence of the Film foi encontrada em 1999 na sala de projeção de um cinema de Montana. Em 2001, o filme foi selecionado para preservação no United States National Film Registry da Biblioteca do Congresso Americano como obra “cultural, histórica ou esteticamente significativa”.

Além de atraente como narrativa criminal e de suspense, The Evidence of the Film traz um registro notável do mundo do trabalho na América do começo do século XX, com crianças assumindo encargos de grande responsabilidade em escritórios, e estúdios empregando preferencialmente mulheres, supostamente mais pacientes e atentas aos detalhes que os homens, no trabalho cuidadoso e preciso da edição dos filmes.

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A POLITIZAÇÃO DO OSCAR

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A maior gafe da história do Oscar foi cometida na sua 89ª edição em 2017, quando os veteranos atores de Bonnie and Clyde (Bonnie e Clyde – Uma rajada de balas, 1967), Warren Beatty e Faye Dunaway, anunciaram o principal prêmio da noite, de Melhor Filme do Ano: “O Oscar vai para…” (silêncio e dúvida no olhar inseguro de Clyde). “Você é horrível” (sussurra Bonnie, incomodada com a demora do parceiro). Ele passa à ansiosa Bonnie o envelope que parece queimar em suas mãos e ela, despachada, lê o resultado sem hesitações, como se a disparar uma metralhadora: “La La Land!”.

É a maior festa no palco, com toda a equipe do filme transbordando de felicidade, os agradecimentos de praxe derramando emoções superlativas de robôs movidos a cocaína. Porém, uma agitação diferente eletriza os bastidores. Há algo de podre no reino da Academia! Os atores que subiram ao palco dão as costas ao público tentando entender o que se passa e logo a explicação cai do céu como um tomate gigante esmagando La La Land: os envelopes foram trocados, o vencedor é Moonlight!

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Um dos produtores de La La Land, o cabotino Fred Berger, conclui bem tranquilo seus agradecimentos com um paradoxal “Mas não ganhamos, como vocês já sabem”. Feio foi o outro produtor, Jordan Horowitz, mal humorado, não esperar a explicação de Warren Beatty. Eis que ele assume, raivoso, o papel do apresentador, anunciando: “Moonlight, vocês venceram, não é piada, é verdade!” e, para provar a afirmação, arranca rispidamente o envelope das mãos de Beatty, num gesto desrespeitoso para com o veterano astro, que não tinha culpa de nada, pois recebera da organização do Oscar, sem perceber, um envelope duplicado do prêmio anterior de Melhor Atriz para anunciar o Melhor Filme, ficando confuso e inseguro ao ler o resultado.

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O funcionário encarregado de entregar o envelope lacrado de Melhor Filme a Beatty estava muito ocupado postando fotos nas redes sociais até minutos antes da premiação mais importante da noite. Distraído, excitado, sem foco no trabalho, não percebeu a duplicação do envelope, obra da empresa PricewaterhouseCoopers, responsável pela auditoria dos resultados do Oscar e pela entrega dos envelopes, que publicou um pedido de desculpas oficial na sua conta do Twitter:

Pedimos desculpas sinceras a Moonlight, La La Land, Warren Beatty, Faye Dunaway e espectadores do Oscar pelo erro cometido no anúncio de Melhor Filme. Os apresentadores receberam o envelope da categoria errada e, quando o problema foi descoberto, foi imediatamente corrigido. Estamos investigando como isso aconteceu, e sentimos muitíssimo o acontecido. Apreciamos a graça com que os indicados, a Academia, o canal ABC e Jimmy Kimmel lidaram com a situação.

Embora espetacular e inédito, este não foi o pior desastre do Oscar 2017. O prêmio de Melhor Documentário de Curta-Metragem concedido a The White Helmets (Os Capacetes Brancos, 2016) supera a mera trapalhada de La La Land X Moonlight.

Ali foi lamentada a ausência de Khaled Khatib (que atua em The White Helmets) e proferido o mote do filme, um verso do Corão (“Quem salva uma vida salva a humanidade inteira”) plagiado do Talmude, e popularizado por Spielberg em Schindler’s List (A lista de Schindler). Por toda a semana as mídias exploraram essa ausência, tentando passar a ideia de que o sírio não pode ir ao Oscar devido ao banimento dos “sete países de maioria muçulmana” pela administração Trump.

Em flagrante contradição, Khaled Khatib tuitou a 25 de fevereiro de 2017 que recebeu o visto americano, mas não viajaria para a festa do Oscar devido “à intensidade do trabalho, nossa prioridade sendo a de ajudar nosso povo”. No dia seguinte, a organização dos Capacetes Brancos publicou uma declaração oficial diferente, culpando o presidente Assad pela ausência de Khatib pois “seu passaporte foi cancelado pelo regime sírio, apesar de ter recebido um visto americano especialmente para a cerimônia da premiação.” Só que o diretor do filme declarou na noite do Oscar que Khatib estava na Turquia… O governo sírio nada comentou.

A frase do Corão é proferida em The White Helmets pelo chefe dos Capacetes Brancos, o sírio Raed Saleh, que, este sim, teve seu visto negado pela administração Trump e não pode entrar nos EUA para representar o grupo-tema do documentário, que foi muito bem produzido, e possui imagens espetaculares e trilha sonora poderosa:

Porque Raed Saleh teve seu visto negado? Os Capacetes Brancos são um grupo de resgate integrado por civis sírios que pregam a supremacia sunita, a Lei Sharia em substituição à Constituição Síria e o fim do governo do ditador sírio Bashir al-Assad não exatamente por ser um ditador, mas por ser “tolerante com as práticas ocidentais”.

Segundo jornalistas sírios, a Defesa Civil Síria e a Igreja Ortodoxa Síria, os Capacetes Brancos só resgatam muçulmanos sunitas que sofreram ataques em bairros e comunidades sunitas, deixando de fora do resgate xiitas, cristãos, alawitas, drusos, curdos, Yázidis, etc. procurando sempre fazer propaganda dos resgates através da gravação dos mesmos por um cinegrafista próprio.

A jornalista Vanessa Beeley assegurou que os Capacetes Brancos são terroristas que invadiram Alepo, financiados pelo Ocidente e também pela Al-Qaeda. Disfarçados de organização humanitária, eles não seriam os heróis que as mídias ocidentais pintam, mas uma ONG fraudulenta com uma agenda anti-ocidental.

Em 2012, quando várias facções militantes se infiltraram em Alepo Oriental, os Capacetes Brancos expulsaram a verdadeira Defesa Civil (fundada em 1953 e única organização do gênero na Síria, registrada na Organização Internacional de Defesa Civil, filiada à ONU, OMS, Crescente Vermelho e Cruz Vermelha), cometeram massacres, sequestros e roubo de equipamentos, carros e ambulâncias.

Os Capacetes Brancos teriam sido criados e treinados em 2013, em Gaziantep, na Turquia, por James Le Mesurier, ex-oficial de inteligência da Royal Military Academy de Sandhurst, envolvido em numerosas “intervenções humanitárias” da OTAN na Bósnia, em Kosovo, no Iraque, no Líbano e na Palestina. Ocupou postos de alto nível na ONU, na UE, no Commonwealth Office, com experiência em segurança privada, associado à empresa Blackwater, usada pela CIA para organizar assassinatos (SYRIAN, 2016).

A jornalista Beeley ainda alertou para a gravidade da inclusão de The White Helmets na festa do Oscar antes que as denúncias de roubo, assalto e terrorismo que pesam sobre o grupo tenham sido investigadas.

As ausências de Khaled Khatib e de Raed Saleh na cerimônia do Oscar foram factoides produzidos para escandalizar os fanáticos da “diversidade”, uma vez que The White Helmets foi dirigido pelo cineasta inglês Orlando von Einsiedel e produzido pela Netflix, que recebeu, em 2015, grande aporte do bilionário investidor George Soros, que comprou 317.534 de suas ações por 32,79 milhões de dólares. Com mais propriedade, caberia ao americano Wilmot Reed Hastings, Jr., co-fundador e CEO da Netflix, receber a estatueta na cerimônia. Onde é que ele estava?

A premiação de The White Helmets, o convite feito a Khaled Khatib e a Raed Saleh para receber a estatueta e a citação da “frase do Corão” durante a cerimônia do Oscar, cada vez mais decadente, porém vista ainda por centenas de milhões de pessoas, além do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante dado a Mahershala Ali, cristão convertido ao Islã, e que as mídias da desinformação passaram a trombetear como sendo o “primeiro muçulmano a ganhar o Oscar” (sic) configuram golpes políticos consistentes.

A nova ideia de que o Oscar alijava muçulmanos é no mínimo bizarra. Ellen Burstyn, cristã que teria se convertida ao Islã, ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 1975; e Asghar Farhadi ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011. E é possível que outros produtores, atores, técnicos e animadores muçulmanos tenham levado o Oscar mantendo discretamente sua fé. A importância disso nunca foi alardeada como agora. A religião de cada profissional era algo de íntimo e pessoal.

Integra, pois, a mesma estratégia de politização do Oscar a entrega do prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira – pela segunda vez! – ao iraniano Asghar Farhadi (The Salesman), que boicotou a cerimonia em protesto ao banimento dos assim chamados “sete países de maioria muçulmana”, incluindo o seu. O discurso anti-Trump do cineasta de um país que persegue opositores políticos, reprime homossexuais, apoia terroristas, oprime mulheres e financia cineastas “defensores dos direitos humanos” foi lido pela milionária engenheira iraniana americana Anousheh Ansari, “a primeira iraniana no espaço” (ao viajar em 2006 às próprias expensas – uns 20 milhões de dólares – na Estação Espacial Internacional):

Dividir o mundo em categorias de ‘nós’ e ‘nossos inimigos’ cria medo, uma enganosa justificativa para agressão e guerra. Estas guerras impedem a democracia e os direitos humanos em países que foram vítimas de agressão. Cineastas podem mover suas câmeras para capturar e compartilhar qualidades humanas e quebrar estereótipos de várias nacionalidades e religiões. Eles criam empatia entre ‘nós’ e ‘outros’, empatia que precisamos hoje mais do que nunca.

A demonização da administração Trump continuou com a apresentação do prêmio de Melhor Animação de Longa Metragem por Hailee Steinfeld e Gael Garcia Bernal, interrompida pelo ator que não resistiu a dar seu pitaco, muito aplaudido:

Atores de carne e osso são trabalhadores migrantes. Viajamos por todo o mundo, construímos famílias, construímos histórias, construímos vida e não podemos ser divididos. Como mexicano, como latino-americano, como trabalhador migrante, como ser humano, sou contra qualquer forma de muro que nos separe.

Hollywood declarou guerra à administração Trump, que contraria os interesses da elite “politicamente correta” que se alia a grupos terroristas e a teocracias islâmicas regressivas e, na sua cruzada pela “tolerância”, pratica toda sorte de vandalismos, revoltada com a perspectiva de uma América com fronteiras seguras e precavida com restrições ao livre acesso de cidadãos de países que abrigam terroristas perigosos.

A cereja do bolo foi o discurso de Cheryl Boone Isaacs, o presidente da Academia, batendo na tecla da “grande diversidade” dos indicados: “Hoje é a prova de que a arte não tem fronteiras.” Contraditoriamente, o mestre de cerimônias Jimmy Kimmel, também afoito para atacar Trump, recordou algo que Isaacs se esforçava em esquecer: “Isso está sendo observado ao vivo por milhões de pessoas em 225 países que agora nos odeiam. Eu quero dizer obrigado ao Presidente Trump. Lembram-se do ano passado, quando parecia que o Oscar era racista? Graças a ele isso acabou.”

O novo amor de Hollywood pelo Islã, a consagração de Moonlight e a premiação de Viola Davis como Melhor Atriz revelam o caráter culpado e hipócrita da politização do Oscar. Cada vez mais alheia à arte do cinema, a Academia tentou neutralizar as acusações de “ausência de diversidade” que marcaram sua própria edição de 2016, quando nenhum ator negro foi indicado ao prêmio. Estigmatizada como uma festa de “brancos racistas”, Hollywood desviou o estigma para a administração Trump. Mas como quem ri por último ri melhor, após a cerimônia Donald Trump declarou ao site Breitbart News como foi melancólica a confusão no fim da cerimônia do Oscar:

Acho que estavam tão focados na política que não conseguiram colocar a cerimônia em ordem no final. Foi um pouco triste, tirou um pouco do glamour do Oscar, não parecia uma noite muito glamorosa. Já estive no Oscar, tinha algo muito especial faltando, e terminar daquele jeito foi triste.

Como tudo tem um preço, o Oscar pagou caro sua alforria da tirania do “politicamente correto”: com ciladas suicidas, trapalhadas, gafes, atitudes patéticas e grosseiras, compondo nas redes sociais momentos ridículos para todo o sempre.

 

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Fontes: 

SYRIAN White Helmets a ‘terrorist support group & Western propaganda tool’. RT, 25 de outubro de 2016. Disponível em: https://www.rt.com/op-edge/364105-aleppo-white-helmets-fraudulent/.

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PEREIRA, Wagner Pinheiro. Prefácio à edição brasileira, in HERF, Jeffrey. Inimigo judeu. São Paulo: Edipro, 2014, p. 19.

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NAZARIO, Luiz. Imaginários da destruição: o papel da imagem na preparação do Holocausto. (Tese). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994, p. 54.

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Tese de Luiz Nazario - Imaginários da destruição (1994), p. 54..jpg

 

DIÁRIO DA OCUPAÇÃO

Durante a Ocupação da UFMG, o cotidiano da academia foi subvertido, com uma série de inversões de valores. De repente, ministrar disciplinas, defender Mestrado e Doutorado, pesquisar nas bibliotecas e nos laboratórios tornaram-se atividades fúteis, sem valor ou sentido. Importante e urgente era fazer assembleias e protestar, ocupar prédios e montar performances ideológicas.

Em novembro, as paredes do CAD2 foram pichadas. Dias atrás 150 estudantes arruinaram o Arquivo e o Depósito da Faculdade de Letras (FALE). Um dos postes do estacionamento foi derrubado e usado para demolir a parede da estrutura do depósito, localizada atrás do auditório 1007. Dezenas de carteiras foram empilhadas e destruídas. Caixas de livros foram violadas.

Após uma invasão de estudantes, o Restaurante Setorial I suspendeu o atendimento. Toda a refeição do dia foi perdida, pois a violação das bandejas lacradas implicava na possibilidade de contaminação da comida. Mais de 350 quilos de alimentos foram jogados no lixo e o restaurante teve que fechar as portas para a limpeza dos estragos causados pelos invasores.

Existe alguma razão que justifique tais atos de vandalismo contra o patrimônio público da parte de quem supostamente está lutando em defesa do ensino público? Podemos arriscar uma resposta: o vazio de autoridade. Cúmplices e acovardadas, as autoridades da UFMG recusam exercer seu papel por medo de passarem por direitistas, golpistas e fascistas.

Tal é o efeito inibidor da propaganda goebbelsiana disseminada nas mídias sociais. Lembremos que na Alemanha nazista (como na Rússia comunista) também os jovens estavam na vanguarda dos movimentos de pilhagem. Engajados em milícias, eles agitavam as ruas, enfrentavam a polícia, encenavam batalhas campais, usados pelos líderes do Partido como ponta-de-lança do poder totalitário que visava destruir a democracia.

Neste clipe, o Pró-Reitor da UFMG, temendo consequências funestas, acaba liderando os estudantes mascarados. Aos gritos, ele tenta acalmar os manifestantes, dizendo à pequena turba revoltada que é preciso recuar na tática porque a polícia considera o lançamento de pedras sobre ela um “crime, mas é um crime entre aspas”. Logo, eles não devem cometer esse crime entre aspas para não dar motivo à PM de invadir a Universidade…

No dia seguinte, o Reitor repudiou o vandalismo da PM, sem mencionar o lançamento de paus e pedras pelos estudantes. Notemos que a PM está subordinada ao governador Pimentel, cujo Partido integra as Ocupações através de seus militantes. O Reitor também condenou as depredações no CAD2 e na FALE sem mencionar os ocupantes como seus supostos agentes.

A Ocupação é um luxo que os acadêmicos se dão em meio à mais grave crise econômica do país, causada pelos sucessivos governos petistas, com um saldo de 14 milhões de desempregados: somente na FALE as perdas estão calculadas em torno de 500 mil reais com a paralisação dos seus Cursos de Extensão.

O caráter lúdico das ocupações, alheias aos prejuízos que causam em todo o país, transparece em suas manifestações públicas. Em Brasília, grupelhos anarquistas de ocupantes fizeram dancinhas de guerra. Na UFMG, docentes contribuíram com uma performance que denota uma regressão à infância ou uma senilidade precoce, desmoralizando a categoria perante a sociedade.

A Rádio Crua, que ocupou a Rádio UFMG Educativa, prega atos criminosos como “queimar Brasília” e “queimar Temer”, lançando no ar os palavrões mais sujos já proferidos numa rádio pública. Ela transmite raps que expressam o vazio mental de certa juventude doutrinada com chavões anticapitalistas.

O movimento OCUPA TUDO manipula os jovens pobres, que temem não conseguir permanecer nas universidades sem bolsas e auxílios. Como vivem num meio social precário, reagem através de gestos e atitudes violentas: um exemplo foi a cantora que disse à Rádio Crua que o rap salvou sua vida depois que ela foi estuprada. Sua fala era uma cascata de palavrões.

Enquanto os educadores entregam suas instituições às fantasias do niilismo anárquico de uma juventude inconformada com o fracasso monumental do governo populista que ela via como a locomotiva do progresso, com a promessa do empoderamento das mulheres, da abolição real da escravatura e da ascensão milionária da pobreza, todos acreditando pertencer ao campo da esquerda graças à nivelação mental operada pelo rolo compressor da propaganda, o Brasil  despenca em todos os rankings mundiais de educação.

AS CRÍTICAS DE CINEMA DE BRESSER-PEREIRA

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O brilhante economista Luiz Carlos Bresser-Pereira é um cinéfilo obsessivo, que mantém uma lista atualizada de filmes “vistos recentemente” que chega a 1.232 títulos cotados. Cada um deles traz uma pequena ficha técnica e uma ou duas linhas apreciativas.

Como crítico de cinema, Bresser-Pereira escreveu regularmente para o jornal ‘O tempo’ entre 1953 e 1955. Essas críticas merecem ser estudadas, pois, além do valor do texto, já se tornaram um documento histórico: sobre o autor, o cinema então exibido, as preocupações e os estilos da crítica brasileira da época.

É fascinante ler, por exemplo, seu relatório sobre o I Festival Internacional de Cinema do Brasil em São Paulo em 1954, com a conclusão de que o Brasil não tinha capacidade de fazer um festival de nível internacional, gastando 20 milhões de cruzeiros mais ou menos à toa com uma mostra mal organizada, mas que adquiriu 300 importantes películas e consolidou a Cinemateca Brasileira.

Há um buraco na produção de suas críticas depois de 1955, e ele só volta a publicar críticas de cinema a partir dos anos de 1980, de modo esporádico, nos jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico, com longos intervalos entre os textos.

Bresser-Pereira abandonou sua promissora, mas economicamente inviável carreira de crítico de cinema, a despeito de estar para ela vocacionado, para atender, como é de praxe, às necessidades da vida, tornando-se advogado, economista, professor e, finalmente, ministro da Fazenda.

Mas o economista nunca perdeu a paixão cinéfila e manteve atualizada sua lista de filmes vistos. Quem uma vez foi mordido pela mosca azul do cinema nunca deixa de sentir a coceira da picada, e assim ele vai atualizando sua lista, com apreciações apressadas, algo simplórias, eivadas de marxismo.

Todo cinéfilo obsessivo tem suas listas secretas: de filmes vistos, de filmes que sonha ver, de filmes que já possui, de filmes que deseja ainda possuir. Eu também tenho as minhas listas: intermináveis, inúteis, sem sentido, apaixonantes. Um dia, quando me cansar delas, hei de publicá-las.

FILMAGENS EM CORES DE BERLIM EM JULHO DE 1945

The Spirit of Berlin (O espírito de Berlim, 1945)
The Spirit of Berlin (O espírito de Berlim, 1945)

Logo após a capitulação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em meio ao imenso cenário de ruínas em que foi convertida a cidade de Berlim, vemos a população concentrada em torno do ativo mercado negro no Portal de Brandenburgo, algumas crianças tristonhas a brincar sozinhas ou a sorrir aproveitando o sol de verão, enquanto jovens e senhoras vivem o duro dia a dia na cidade arrasada e ocupada pelas tropas russas, americanas, inglesas e francesas.

Algumas dessas mulheres de semblante carrancudo até há pouco tempo vibravam com os discursos alucinados de Hitler no Berlin Sportpalast. Agora elas se mostram antipáticas ao cinegrafista que registra seu humilhante trabalho de coleta da água em baldes ou suas atividades caseiras nos prédios sem as fachadas, a intimidade exposta aos passantes. O flagrante do cinegrafista lembra uma cena do filme de propaganda nazista Jud Süss (O judeu Süss, 1940), de Veit Harlan:

Jud Süss (O judeu Süss, 1940), de Veit Harlan.
Jud Süss (O judeu Süss, 1940), de Veit Harlan.

Nesta cena, o perverso “judeu Süss”, Ministro das Finanças do Ducado de Württemberg, manda demolir metade da casa de um ferreiro que avançava sobre a rua que obteve do Duque para explorar pedágios, e a amante dele, ao ver a casa sem fachada, ocupada por soldados, exclama antes de beijar Süss: “Parece uma casa de bonecas! Como você é inteligente e horrível!”. Os alemães, que imaginaram assim sua vitimização pelo “judeu” para legitimar o Holocausto que praticavam, não imaginaram que viveriam tal cena na carne, como vítimas reais de uma espécie de “lei do retorno”.

Ver o filme aqui.

A MOSFILM E A NOSTALGIA COMUNISTA DO CINEMA ESTATAL

A reportagem da TV Record, realizada em 2004, mostra os estúdios da Mosfilm e termina com uma pequena entrevista com seu então diretor, o cineasta Karen Chakhnazarov (1952-), autor de Os homens de bem, Jazz-man, Cidade zero e Enfermaria número 6, que manifesta sua nostalgia do comunismo através de sua política das artes sob o controle total do Estado, condenando a privatização do estúdio em nome de uma “tradição cultural” a ser mantida.

Ver o vídeo aqui.

UMA SILENCIOSA CATÁSTROFE

The Last Reel: um lamento sobre o fim do cinema. O mundo está perdendo alguma coisa invisível, mas essencial, com a transição do analógico para o digital, com o deslocamento do olho humano do papel e para a tela do computador, do jornal impresso para o jornal eletrônico, do livro para o e-book: sua alma?

Ver o filme aqui.

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CINECLIO: GRUPO DE ESTUDOS SOBRE CINEMA E HISTÓRIA

Clio, por Mucha.
Clio, por Mucha.

O CINECLIO é um grupo de pesquisadores atuantes na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais cujos estudos se cruzam num horizonte de áreas correlatas definidas como: História do Cinema, História e Cinema, Memória e Cinema, Preservação do Cinema, Patrimônio Audiovisual.

CINEMA E HISTÓRIA

Coordenação

Prof. Dr. Luiz Nazario, luiz.nazario@terra.com.br

Pesquisadores

Alexandre Martins Soares, alexdrsoares@gmail.com

Ana Luisa Coimbra, luisacoimbra@hotmail.com

Arttur Ricardo Espindola, arttur.espindula@gmail.com

Cristiano Bezerra Lara, crisblara@gmail.com

José Ricardo da Costa Miranda Junior, j-ricardo-jr@hotmail.com

Nelson Barraza, nelsonjbaspee@gmail.com

Roberto Cotta, robertormcotta@gmail.com

Soraia Nunes Nogueira, soraiann@gmail.com

MEMÓRIA E CINEMA

Coordenação

Prof. Dr. Evandro José Lemos da Cunha, cunha@eba.ufmg.br

Pesquisadores

Camila Silva, milacristinasilva@gmail.com

Luiz Carlos Carneiro, lccarneiro.carneiro@gmail.com

Mariana Tavares, marianatavares167@gmail.com