The Evidence of the Film. Thanhouser Studio..jpg

O curta-metragem The Evidence of the Film (A evidência do filme, EUA, 1913, 14’), de Lawrence Marston e Edwin Thanhouser, produzido pelo Thanhouser Studio, em New Rochelle (Nova York), que produziu mais de mil filmes entre 1910 e 1917, é considerado o primeiro filme a apresentar o filme como prova num tribunal.

Mensageiro de uma casa de investimentos, um menino (interpretado pela expressiva menina Marie Eline) é encarregado de entregar a uma cliente um envelope contendo US$20,000 que o investidor (William Garwood) deve a ela, que ameaçou processá-lo caso não recebesse o dinheiro naquela mesma tarde.

Na verdade, para enganar a cliente, o broker vigarista preparou dois envelopes: um com o dinheiro, fechado diante de duas testemunhas; e outro recheado com tiras de jornal, que ele esconde no bolso interno de seu casaco.

O broker segue o mensageiro pelas ruas até que ele invade inadvertidamente as locações de uma filmagem. O menino é então derrubado no chão pelo broker, que se aproveita da confusão armada para trocar o envelope com dinheiro pelo envelope com tiras de jornal.

Quando o mensageiro chega ao seu destino e a cliente recebe o envelope “falso”, o menino é acusado de ter roubado o dinheiro, levado às barras do tribunal e, confrontado com os testemunhos, condenado sem apelo à prisão.

Dias depois, a irmã do mensageiro (Florence La Badie), que trabalhava como montadora do estúdio de cinema que fizera as filmagens em locação, percebe que a película rodada pelo cinegrafista distraído havia registrado acidentalmente o ataque do broker ao garoto.

A película é apresentada ao juiz, que aceita o registro das imagens como prova, e a sequência incriminadora da troca dos envelopes é projetada numa sessão fechada para os policiais, que logo procedem à liberação do garoto, prendendo o verdadeiro culpado.

A única cópia sobrevivente de The Evidence of the Film foi encontrada em 1999 na sala de projeção de um cinema de Montana. Em 2001, o filme foi selecionado para preservação no United States National Film Registry da Biblioteca do Congresso Americano como obra “cultural, histórica ou esteticamente significativa”.

Além de atraente como narrativa criminal e de suspense, The Evidence of the Film traz um registro notável do mundo do trabalho na América do começo do século XX, com crianças assumindo encargos de grande responsabilidade em escritórios, e estúdios empregando preferencialmente mulheres, supostamente mais pacientes e atentas aos detalhes que os homens, no trabalho cuidadoso e preciso da edição dos filmes.

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