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A maior gafe da história do Oscar foi cometida na sua 89ª edição em 2017, quando os veteranos atores de Bonnie and Clyde (Bonnie e Clyde – Uma rajada de balas, 1967), Warren Beatty e Faye Dunaway, anunciaram o principal prêmio da noite, de Melhor Filme do Ano: “O Oscar vai para…” (silêncio e dúvida no olhar inseguro de Clyde). “Você é horrível” (sussurra Bonnie, incomodada com a demora do parceiro). Ele passa à ansiosa Bonnie o envelope que parece queimar em suas mãos e ela, despachada, lê o resultado sem hesitações, como se a disparar uma metralhadora: “La La Land!”.

É a maior festa no palco, com toda a equipe do filme transbordando de felicidade, os agradecimentos de praxe derramando emoções superlativas de robôs movidos a cocaína. Porém, uma agitação diferente eletriza os bastidores. Há algo de podre no reino da Academia! Os atores que subiram ao palco dão as costas ao público tentando entender o que se passa e logo a explicação cai do céu como um tomate gigante esmagando La La Land: os envelopes foram trocados, o vencedor é Moonlight!

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Um dos produtores de La La Land, o cabotino Fred Berger, conclui bem tranquilo seus agradecimentos com um paradoxal “Mas não ganhamos, como vocês já sabem”. Feio foi o outro produtor, Jordan Horowitz, mal humorado, não esperar a explicação de Warren Beatty. Eis que ele assume, raivoso, o papel do apresentador, anunciando: “Moonlight, vocês venceram, não é piada, é verdade!” e, para provar a afirmação, arranca rispidamente o envelope das mãos de Beatty, num gesto desrespeitoso para com o veterano astro, que não tinha culpa de nada, pois recebera da organização do Oscar, sem perceber, um envelope duplicado do prêmio anterior de Melhor Atriz para anunciar o Melhor Filme, ficando confuso e inseguro ao ler o resultado.

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O funcionário encarregado de entregar o envelope lacrado de Melhor Filme a Beatty estava muito ocupado postando fotos nas redes sociais até minutos antes da premiação mais importante da noite. Distraído, excitado, sem foco no trabalho, não percebeu a duplicação do envelope, obra da empresa PricewaterhouseCoopers, responsável pela auditoria dos resultados do Oscar e pela entrega dos envelopes, que publicou um pedido de desculpas oficial na sua conta do Twitter:

Pedimos desculpas sinceras a Moonlight, La La Land, Warren Beatty, Faye Dunaway e espectadores do Oscar pelo erro cometido no anúncio de Melhor Filme. Os apresentadores receberam o envelope da categoria errada e, quando o problema foi descoberto, foi imediatamente corrigido. Estamos investigando como isso aconteceu, e sentimos muitíssimo o acontecido. Apreciamos a graça com que os indicados, a Academia, o canal ABC e Jimmy Kimmel lidaram com a situação.

Embora espetacular e inédito, este não foi o pior desastre do Oscar 2017. O prêmio de Melhor Documentário de Curta-Metragem concedido a The White Helmets (Os Capacetes Brancos, 2016) supera a mera trapalhada de La La Land X Moonlight.

Ali foi lamentada a ausência de Khaled Khatib (que atua em The White Helmets) e proferido o mote do filme, um verso do Corão (“Quem salva uma vida salva a humanidade inteira”) plagiado do Talmude, e popularizado por Spielberg em Schindler’s List (A lista de Schindler). Por toda a semana as mídias exploraram essa ausência, tentando passar a ideia de que o sírio não pode ir ao Oscar devido ao banimento dos “sete países de maioria muçulmana” pela administração Trump.

Em flagrante contradição, Khaled Khatib tuitou a 25 de fevereiro de 2017 que recebeu o visto americano, mas não viajaria para a festa do Oscar devido “à intensidade do trabalho, nossa prioridade sendo a de ajudar nosso povo”. No dia seguinte, a organização dos Capacetes Brancos publicou uma declaração oficial diferente, culpando o presidente Assad pela ausência de Khatib pois “seu passaporte foi cancelado pelo regime sírio, apesar de ter recebido um visto americano especialmente para a cerimônia da premiação.” Só que o diretor do filme declarou na noite do Oscar que Khatib estava na Turquia… O governo sírio nada comentou.

A frase do Corão é proferida em The White Helmets pelo chefe dos Capacetes Brancos, o sírio Raed Saleh, que, este sim, teve seu visto negado pela administração Trump e não pode entrar nos EUA para representar o grupo-tema do documentário, que foi muito bem produzido, e possui imagens espetaculares e trilha sonora poderosa:

Porque Raed Saleh teve seu visto negado? Os Capacetes Brancos são um grupo de resgate integrado por civis sírios que pregam a supremacia sunita, a Lei Sharia em substituição à Constituição Síria e o fim do governo do ditador sírio Bashir al-Assad não exatamente por ser um ditador, mas por ser “tolerante com as práticas ocidentais”.

Segundo jornalistas sírios, a Defesa Civil Síria e a Igreja Ortodoxa Síria, os Capacetes Brancos só resgatam muçulmanos sunitas que sofreram ataques em bairros e comunidades sunitas, deixando de fora do resgate xiitas, cristãos, alawitas, drusos, curdos, Yázidis, etc. procurando sempre fazer propaganda dos resgates através da gravação dos mesmos por um cinegrafista próprio.

A jornalista Vanessa Beeley assegurou que os Capacetes Brancos são terroristas que invadiram Alepo, financiados pelo Ocidente e também pela Al-Qaeda. Disfarçados de organização humanitária, eles não seriam os heróis que as mídias ocidentais pintam, mas uma ONG fraudulenta com uma agenda anti-ocidental.

Em 2012, quando várias facções militantes se infiltraram em Alepo Oriental, os Capacetes Brancos expulsaram a verdadeira Defesa Civil (fundada em 1953 e única organização do gênero na Síria, registrada na Organização Internacional de Defesa Civil, filiada à ONU, OMS, Crescente Vermelho e Cruz Vermelha), cometeram massacres, sequestros e roubo de equipamentos, carros e ambulâncias.

Os Capacetes Brancos teriam sido criados e treinados em 2013, em Gaziantep, na Turquia, por James Le Mesurier, ex-oficial de inteligência da Royal Military Academy de Sandhurst, envolvido em numerosas “intervenções humanitárias” da OTAN na Bósnia, em Kosovo, no Iraque, no Líbano e na Palestina. Ocupou postos de alto nível na ONU, na UE, no Commonwealth Office, com experiência em segurança privada, associado à empresa Blackwater, usada pela CIA para organizar assassinatos (SYRIAN, 2016).

A jornalista Beeley ainda alertou para a gravidade da inclusão de The White Helmets na festa do Oscar antes que as denúncias de roubo, assalto e terrorismo que pesam sobre o grupo tenham sido investigadas.

As ausências de Khaled Khatib e de Raed Saleh na cerimônia do Oscar foram factoides produzidos para escandalizar os fanáticos da “diversidade”, uma vez que The White Helmets foi dirigido pelo cineasta inglês Orlando von Einsiedel e produzido pela Netflix, que recebeu, em 2015, grande aporte do bilionário investidor George Soros, que comprou 317.534 de suas ações por 32,79 milhões de dólares. Com mais propriedade, caberia ao americano Wilmot Reed Hastings, Jr., co-fundador e CEO da Netflix, receber a estatueta na cerimônia. Onde é que ele estava?

A premiação de The White Helmets, o convite feito a Khaled Khatib e a Raed Saleh para receber a estatueta e a citação da “frase do Corão” durante a cerimônia do Oscar, cada vez mais decadente, porém vista ainda por centenas de milhões de pessoas, além do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante dado a Mahershala Ali, cristão convertido ao Islã, e que as mídias da desinformação passaram a trombetear como sendo o “primeiro muçulmano a ganhar o Oscar” (sic) configuram golpes políticos consistentes.

A nova ideia de que o Oscar alijava muçulmanos é no mínimo bizarra. Ellen Burstyn, cristã que teria se convertida ao Islã, ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 1975; e Asghar Farhadi ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011. E é possível que outros produtores, atores, técnicos e animadores muçulmanos tenham levado o Oscar mantendo discretamente sua fé. A importância disso nunca foi alardeada como agora. A religião de cada profissional era algo de íntimo e pessoal.

Integra, pois, a mesma estratégia de politização do Oscar a entrega do prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira – pela segunda vez! – ao iraniano Asghar Farhadi (The Salesman), que boicotou a cerimonia em protesto ao banimento dos assim chamados “sete países de maioria muçulmana”, incluindo o seu. O discurso anti-Trump do cineasta de um país que persegue opositores políticos, reprime homossexuais, apoia terroristas, oprime mulheres e financia cineastas “defensores dos direitos humanos” foi lido pela milionária engenheira iraniana americana Anousheh Ansari, “a primeira iraniana no espaço” (ao viajar em 2006 às próprias expensas – uns 20 milhões de dólares – na Estação Espacial Internacional):

Dividir o mundo em categorias de ‘nós’ e ‘nossos inimigos’ cria medo, uma enganosa justificativa para agressão e guerra. Estas guerras impedem a democracia e os direitos humanos em países que foram vítimas de agressão. Cineastas podem mover suas câmeras para capturar e compartilhar qualidades humanas e quebrar estereótipos de várias nacionalidades e religiões. Eles criam empatia entre ‘nós’ e ‘outros’, empatia que precisamos hoje mais do que nunca.

A demonização da administração Trump continuou com a apresentação do prêmio de Melhor Animação de Longa Metragem por Hailee Steinfeld e Gael Garcia Bernal, interrompida pelo ator que não resistiu a dar seu pitaco, muito aplaudido:

Atores de carne e osso são trabalhadores migrantes. Viajamos por todo o mundo, construímos famílias, construímos histórias, construímos vida e não podemos ser divididos. Como mexicano, como latino-americano, como trabalhador migrante, como ser humano, sou contra qualquer forma de muro que nos separe.

Hollywood declarou guerra à administração Trump, que contraria os interesses da elite “politicamente correta” que se alia a grupos terroristas e a teocracias islâmicas regressivas e, na sua cruzada pela “tolerância”, pratica toda sorte de vandalismos, revoltada com a perspectiva de uma América com fronteiras seguras e precavida com restrições ao livre acesso de cidadãos de países que abrigam terroristas perigosos.

A cereja do bolo foi o discurso de Cheryl Boone Isaacs, o presidente da Academia, batendo na tecla da “grande diversidade” dos indicados: “Hoje é a prova de que a arte não tem fronteiras.” Contraditoriamente, o mestre de cerimônias Jimmy Kimmel, também afoito para atacar Trump, recordou algo que Isaacs se esforçava em esquecer: “Isso está sendo observado ao vivo por milhões de pessoas em 225 países que agora nos odeiam. Eu quero dizer obrigado ao Presidente Trump. Lembram-se do ano passado, quando parecia que o Oscar era racista? Graças a ele isso acabou.”

O novo amor de Hollywood pelo Islã, a consagração de Moonlight e a premiação de Viola Davis como Melhor Atriz revelam o caráter culpado e hipócrita da politização do Oscar. Cada vez mais alheia à arte do cinema, a Academia tentou neutralizar as acusações de “ausência de diversidade” que marcaram sua própria edição de 2016, quando nenhum ator negro foi indicado ao prêmio. Estigmatizada como uma festa de “brancos racistas”, Hollywood desviou o estigma para a administração Trump. Mas como quem ri por último ri melhor, após a cerimônia Donald Trump declarou ao site Breitbart News como foi melancólica a confusão no fim da cerimônia do Oscar:

Acho que estavam tão focados na política que não conseguiram colocar a cerimônia em ordem no final. Foi um pouco triste, tirou um pouco do glamour do Oscar, não parecia uma noite muito glamorosa. Já estive no Oscar, tinha algo muito especial faltando, e terminar daquele jeito foi triste.

Como tudo tem um preço, o Oscar pagou caro sua alforria da tirania do “politicamente correto”: com ciladas suicidas, trapalhadas, gafes, atitudes patéticas e grosseiras, compondo nas redes sociais momentos ridículos para todo o sempre.

 

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Fontes: 

SYRIAN White Helmets a ‘terrorist support group & Western propaganda tool’. RT, 25 de outubro de 2016. Disponível em: https://www.rt.com/op-edge/364105-aleppo-white-helmets-fraudulent/.

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