Durante a Ocupação da UFMG, o cotidiano da academia foi subvertido, com uma série de inversões de valores. De repente, ministrar disciplinas, defender Mestrado e Doutorado, pesquisar nas bibliotecas e nos laboratórios tornaram-se atividades fúteis, sem valor ou sentido. Importante e urgente era fazer assembleias e protestar, ocupar prédios e montar performances ideológicas.

Em novembro, as paredes do CAD2 foram pichadas. Dias atrás 150 estudantes arruinaram o Arquivo e o Depósito da Faculdade de Letras (FALE). Um dos postes do estacionamento foi derrubado e usado para demolir a parede da estrutura do depósito, localizada atrás do auditório 1007. Dezenas de carteiras foram empilhadas e destruídas. Caixas de livros foram violadas.

Após uma invasão de estudantes, o Restaurante Setorial I suspendeu o atendimento. Toda a refeição do dia foi perdida, pois a violação das bandejas lacradas implicava na possibilidade de contaminação da comida. Mais de 350 quilos de alimentos foram jogados no lixo e o restaurante teve que fechar as portas para a limpeza dos estragos causados pelos invasores.

Existe alguma razão que justifique tais atos de vandalismo contra o patrimônio público da parte de quem supostamente está lutando em defesa do ensino público? Podemos arriscar uma resposta: o vazio de autoridade. Cúmplices e acovardadas, as autoridades da UFMG recusam exercer seu papel por medo de passarem por direitistas, golpistas e fascistas.

Tal é o efeito inibidor da propaganda goebbelsiana disseminada nas mídias sociais. Lembremos que na Alemanha nazista (como na Rússia comunista) também os jovens estavam na vanguarda dos movimentos de pilhagem. Engajados em milícias, eles agitavam as ruas, enfrentavam a polícia, encenavam batalhas campais, usados pelos líderes do Partido como ponta-de-lança do poder totalitário que visava destruir a democracia.

Neste clipe, o Pró-Reitor da UFMG, temendo consequências funestas, acaba liderando os estudantes mascarados. Aos gritos, ele tenta acalmar os manifestantes, dizendo à pequena turba revoltada que é preciso recuar na tática porque a polícia considera o lançamento de pedras sobre ela um “crime, mas é um crime entre aspas”. Logo, eles não devem cometer esse crime entre aspas para não dar motivo à PM de invadir a Universidade…

No dia seguinte, o Reitor repudiou o vandalismo da PM, sem mencionar o lançamento de paus e pedras pelos estudantes. Notemos que a PM está subordinada ao governador Pimentel, cujo Partido integra as Ocupações através de seus militantes. O Reitor também condenou as depredações no CAD2 e na FALE sem mencionar os ocupantes como seus supostos agentes.

A Ocupação é um luxo que os acadêmicos se dão em meio à mais grave crise econômica do país, causada pelos sucessivos governos petistas, com um saldo de 14 milhões de desempregados: somente na FALE as perdas estão calculadas em torno de 500 mil reais com a paralisação dos seus Cursos de Extensão.

O caráter lúdico das ocupações, alheias aos prejuízos que causam em todo o país, transparece em suas manifestações públicas. Em Brasília, grupelhos anarquistas de ocupantes fizeram dancinhas de guerra. Na UFMG, docentes contribuíram com uma performance que denota uma regressão à infância ou uma senilidade precoce, desmoralizando a categoria perante a sociedade.

A Rádio Crua, que ocupou a Rádio UFMG Educativa, prega atos criminosos como “queimar Brasília” e “queimar Temer”, lançando no ar os palavrões mais sujos já proferidos numa rádio pública. Ela transmite raps que expressam o vazio mental de certa juventude doutrinada com chavões anticapitalistas.

O movimento OCUPA TUDO manipula os jovens pobres, que temem não conseguir permanecer nas universidades sem bolsas e auxílios. Como vivem num meio social precário, reagem através de gestos e atitudes violentas: um exemplo foi a cantora que disse à Rádio Crua que o rap salvou sua vida depois que ela foi estuprada. Sua fala era uma cascata de palavrões.

Enquanto os educadores entregam suas instituições às fantasias do niilismo anárquico de uma juventude inconformada com o fracasso monumental do governo populista que ela via como a locomotiva do progresso, com a promessa do empoderamento das mulheres, da abolição real da escravatura e da ascensão milionária da pobreza, todos acreditando pertencer ao campo da esquerda graças à nivelação mental operada pelo rolo compressor da propaganda, o Brasil  despenca em todos os rankings mundiais de educação.

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Um comentário sobre “DIÁRIO DA OCUPAÇÃO

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